Mariano de Xangó

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22 fevereiro 2018

JUREMOLOGIA para todas e todos - Alexandre L’Omi L’Odò!

JUREMOLOGIA para todas e todos!


Disponibilizo com muito amor e afeto o texto final e definitivo de minha dissertação de mestrado para todas e todos. 


Como conclusão derradeira, fechando meu ciclo de mestre na academia, no curso de Ciências da Religião da UNICAP, entrego à sociedade, o texto que me custou alguns anos de luta e muita dedicação para ser finalizado (ou quase finalizado, já que uma pesquisa deste vulto não se termina). Essa é uma prestação de contas, onde, por ter sido bolsista da CAPES (no governo de Dilma - PT), pude estudar e transcender meu universo de “menino da favela”, e virar intelectual nos termos da norma oficial da academia. Para mim já não é mais suficiente apenas ser um intelectual orgânico, como define Gramsci, em seus históricos escritos. Quero ser um catimbozeiro doutor, e assim continuarei essa luta até ser doutor de fato e de direito, pois se tem alguém que pode falar por nós, esse alguém somos nós, e não abro mão de conquistar esse direito com total dignidade e luta!

Ser intelectual e juremeiro é uma novidade em nossa sociedade. Mesmo com mais de 5017 anos de colonização, fui o primeiro juremeiro a defender um estudo na academia, que em 4 capítulos, sistematizou tudo de relevante que foi escrito e estudado sobre a Jurema, em um recorte histórico de 277 anos (1741 a 2017). Para além da profundidade historiográfica do texto, temos uma etnografia densa (GEERTZ), que trouxe a fala qualificada de diversos juremeiros e juremeiras de renome em Recife e Região Metropolitana, revelando para o mundo letrado uma cosmovisão ampla do que seria essa religião para as pessoas que a vivenciam, defendem e praticam com veemente fé e resistência.

Longe de ser uma cartinha de quase 300 páginas, de não academicidade, ou de movimento social (risco eminente que não me atingiu), meu texto foi elogiado pela banca examinadora com excelência, e pude com orgulho, responder com suficiência todas as argüições feitas no momento da qualificação e da defesa pública. Portanto, após tantas etapas complicadas e complexas, hoje posso me dizer satisfeito com o que escrevi, mesmo sabendo que poderia escrever mais... Aliás, continuo escrevendo mais, e lançarei em breve dois livros, que são resultado desta pesquisa.

Ter lançado o inédito termo JUREMOLOGIA no campo da pesquisa acadêmica, foi outra ousadia intelectual minha. Fundamentar este neologismo, e, defendê-lo, também me custou muito exercício de pesquisa e escrita. Contudo, aí está, firme e forte, pronto para ser usado por quem desejar. Também, devem questioná-lo, afinal, no campo acadêmico, tudo pode ser ampliado ou questionado, coisas que me dão muito entusiasmo e prazer, pois sou sim um homem que gosta de lutar a partir do campo intelectual (também). Usem, ampliem a pesquisa, adentrem este universo, pois, tudo que fiz, foi no intuito de contribuir para que mais e mais pessoas de terreiro possam acreditar que é possível sim, se formar e ocupar esse lugar privilegiado, que pertence à apenas 5% da população brasileira.

Essa dissertação, nasceu de meu sonho de mudar meu próprio mundo. O mundo da exclusão e da não sapiência daquilo que eu praticava. Da mesma forma que estudei autonomamente a língua yorùbá, e hoje dou aulas e traduzo toadas, me dediquei aos estudos da Jurema para compreendê-la mais e poder contribuir em seu avanço na sociedade como religião, sempre em uma perspectiva decolonial. Esses meus estudos tem mais de 15 anos, onde durante este tempo, pude colecionar textos e documentos importantes que me viabilizaram dar concretude a esta pesquisa.

Ser um sacerdote e intelectual é possível sim. Uma coisa não modifica a outra, e juntas, se fortalecem. Sou amante da tradição e profundo defensor da oralidade. Porém, sem ocuparmos a política e os espaços da intelectualidade, não estaremos fazendo grande coisa para o avanço de nosso povo. Temos que acordar o quanto antes! Ocidentalizar-se para desocidentalizar, é uma perspectiva de luta epistemologicamente pensada por mim e por tantos outros e outras para nos libertar das algemas do assombroso passado da escravidão e do holocausto indígena e suas heranças racistas. A Jurema que acredito, é a Jurema que quer se libertar das amarras do colonizador branco e cristão. Mesmo respeitando as tradições e tendo afeto por elas, como cientista e como sacerdote, me proponho, a estar na linha de frente da batalha, para podermos dar largos passos na conquista dos espaços desta sociedade, que também são nossos.

Não adianta apenas usar as redes sociais para promover informação sobre a Jurema, que é essencialmente uma religião de tradição oral. Temos que fazer coisas efetivas e amplas. É possível sim, firmar realizações efetivas como este texto/pesquisa e unir as ações virtuais (imateriais) com as ações práticas e concretas em outros campos. Este pode ser um caminho fértil para nos ajudar a avançar mais e mais, com força e inteireza. Assim, poderemos olhar para trás e nos orgulharmos de tudo que nos dedicamos, pois palavras voam no ar, o que se registra, nem o vento branco do colonizador leva (parafraseando Mãe Stella de Oxóssi, uma das entrevistadas na dissertação).

Bom, espero que quem ler, possa me devolver uma crítica, uma fala, um comentário, uma ou várias discordâncias, etc. Preciso dialogar mais e mais com meus irmãos e irmãs por que essa pesquisa continua e se amplia...


Chega mais e COMPARTILHA, para que mais pessoas possam ter acesso. Muita gente me solicitou, agora ta aí, prontinha e toda disponível para ser degustada.  


Agradeço a todas e todos que me ajudaram a vencer cada etapa desta luta. Não foi fácil, mas ao final, o gosto e o empoderamento, da realização e da vitória, pagaram tudo.

A benção aos meus mentores: Reis Malunguinho, Major do Dia, Sr. Manso, Mestra Paulina, Caboclo Arranca Toco, Zé Pilintra, etc. Vocês são minha família indissolúvel. A benção Dona Leide de Sibamba, minha madrinha de Jurema. Adupé Oxum, iyá mi! Adupé Bàbá mi Ifátòògùn Paulo Braz Felipe da Costa, meu santo babalorixá e obrigado à minha digníssima iyalorixá Mãe Lu Omitogun, rainha oceânica de minha vida na religião nagô/jeje.

Tenho muito a quem agradecer, e com certeza nas páginas da dissertação estão os nomes de todas e todos que de um forma ou de outra contribuíram para que este texto existisse, disponível e livre para quem desejar se aprofundar na ciência mestra da jurema e sua história. “Tudo isso, é apenas uma gota no oceano”!

Sobô Nirê Mafá!
Trunfa Riá!
Saramunanga Cipopá!
A Jurema Merece Respeito!

Esta dissertação foi feita para “desfazer as coisas dos brancos” (Davi Kopenawa)!

Baixe a dissertação de mestrado Juremologia: uma busca etnográfica para sistematização de princípios da cosmovisão da Jurema Sagrada, no link abaixo:

Se interessados ou interessadas, é só baixar o arquivo em PDF no link, ao final deste texto.


Alexandre L’Omi L’Odò
Juremeiro, Historiador e Cientista das Religiões
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com


Fontes: 

Alexandre L'Omi L'Odò

Foto de Joanah Flor.

O QUE SÃO OGÃNS?

O QUE SÃO OGÃNS?
Ser Ogam é muito mais do que ser aquela pessoa no fundo do Terreiro, tocando pontos para as entidades, médiuns e assistentes. Ser Ogam é participar de forma efetiva e consciente nos trabalhos. Isso exige conhecimento, humildade, concentração, responsabilidade, mediunidade e amor. O Ogam é o responsável pelo canto, pelo toque, pela sustentação, pela parte física e equilíbrio harmônico dos rituais. Diferente do que muita gente pensa, um Ogam pode incorporar, porém, a sua mediunidade manifesta-se normalmente, de forma diferente do restante do corpo mediúnico. Manifesta, principalmente, através da intuição, das suas mãos, braços e cordas vocais. Os atabaques, quando devidamente consagrados e ativados pelos Ogãns, são verdadeiros instrumentos de auxílio espiritual, pois são capazes de canalizar, concentrar e irradiar energias que tanto podem ser movimentadas pelo próprio Ogam como pelas entidades de trabalho para os mais diversos fins

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