Mariano de Xangó

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08 novembro 2017

Candomblé não é moda! É ancestralidade e continuidade

Créditos: fora do Eixo!


Por Alexandre Magno da Gloria

São cada vez mais comuns notícias, revistas, desfiles que trazem à moda referências africanas como tendência. São estampas, formatos, texturas, cores, turbantes, colares, entre outros, que são comercializados aos montes e têm caído no gosto de uma parte considerável da população brasileira. Se, por um lado, isso pode ser visto com algo positivo, já que promove esta cultura gigantesca, riquíssima e milenar que foi tão marginalizada, demonizada e esquecida durante os quase 400 anos de escravidão no Brasil, por outro lado, tem criado também certa banalização da cultura negra, visando apenas um mercantilismo e não uma reflexão profunda de sua origem e do racismo presente em nossa sociedade, utilizando-se de falsos argumentos como a da democracia racial.

Segundo Andrei, como escreveu o poeta negro B. Easy em seu Twitter: “A cultura negra é popular, pessoas negras não são”. (1)

Estes comportamentos têm refletido também, não só no candomblé, mas, nas tradições de matrizes africanas de um modo geral. No Facebook, temos inúmeros testes como: “Descubra qual é o seu Orixá”, temos consulta aos búzios on-line, receitas de ditos banhos e oferendas para as Divindades yorubás, uma associação sem nexo destas divindades com a Astrologia e o misticismo em canais do Youtube, e por ai vai. Sem contar outros exemplos como as baladas com a tecnomacumba da cantora e compositora maranhense Rita Benneditto, bares e shows universitários com referência a mitologia dos Orixás, e toda a sorte de produtos para os mais diferentes fins.

Primeiramente, é importante destacarmos que o conceito de moda, remete a manias passageiras, já aí demonstra completa desconexão com os valores, legados e práticas dos cultos afro-brasileiros.

O Candomblé, termo genérico para definir diversos cultos e tradições, foi criado no Brasil por negros (as) que aqui foram escravizados, oriundos principalmente, de países atualmente conhecidos como Angola, Nigéria e República do Benim. Estes cultos de matriz africana são adaptações, interações e reinvenções das diversas formas de crer dos povos para cá trazidos, destacando-se como cultos de (re) afirmação e resistência dos valores e culturas negro-africana.

Tendo como principio o respeito à natureza, às pessoas, o culto à ancestralidade e o cultivo do Ìwà rere, o bom caráter, tornar-se de fato adepto destas tradições requer compromisso, respeito, dedicação, paciência, esforço, abdicação e a busca pela constante descolonização eurocêntrica que tanto tem descaracterizado as Divindades e o culto afro. Afinal, não há coerência em dizer-se adepto de um culto que valoriza a natureza se destruímos os recursos naturais apenas para saciarmos nosso consumismo desenfreado e valorizamos mais o ter do que o ser.

Não se pode querer se iniciar, por exemplo, para Ọ̀ṣun, apenas por vaidade, achando que esta Divindade vai lhe trazer grande fortuna e status, sem saber que em sua origem, a mesma está ligada a objetos de bronze, à água e à fertilidade e não ao ouro, narcisismo e futilidade.

Como o Bàbálóòrìsà Rodney (2) destacou brilhantemente em seu artigo, sincretismo à parte, Òrìsà não é Santo, o conceito e personalidade das Divindades de origem yorubá são completamente outro, deste modo, não adianta tentarmos compreende-los ou resumi-los facilmente com conceitos ocidentais.

Estes cultos são um legado histórico e que ajudaram diretamente a construir parte considerável da cultura brasileira. Conforme destacou Roberval Falojutogun (3): “(…) Inúmeras contribuições para a cultura brasileira foram e continuam sendo feitas pela religião dos Orixás, Vodum e Inquices oriundos destas casas religiosas, a exemplo dos acréscimos na linguagem oral, gestual e visual. Houve contribuições para a culinária brasileira, tornando-a uma das mais sofisticadas e apreciadas do mundo. A contribuição para a linguagem musical também é das mais primorosas.”.

A toda essa imensa religiosidade e cultura cabem respeito, reconhecimento e valorização. Um culto nunca deve ser banalizado ou transformado em modismo apenas para satisfazer a caprichos e tendências.

Ser de candomblé é reencontrar-se e reequilibrar-se com nossa própria natureza sagrada, para (re) aprender a compreender o mundo e as pessoas à nossa volta, renascendo através de ritos iniciáticos. E isso não é passageiro, é um compromisso para toda a vida.


Alexandre Magno da Gloria é Candomblecista, Iniciado para o Òrìsà Ògún, Graduando em Engenharia Ambiental da Universidade Cidade de São Paulo. Entusiasta do dialogo inter-religioso, atualmente, integra o projeto Mobilização. Possui conhecimentos básicos do Idioma Yorùbá. É membro do Fórum Permanente de Religiões de Matriz Africana da cidade de São Paulo, vinculado a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania. Compõem o conselho editorial da Revista Senso.

 
Fonte: Ilê Axé Dajô Obá Ogodô e Rede De Jovens De Matriz Africana E Terreiros Do Rn 

O QUE SÃO OGÃNS?

O QUE SÃO OGÃNS?
Ser Ogam é muito mais do que ser aquela pessoa no fundo do Terreiro, tocando pontos para as entidades, médiuns e assistentes. Ser Ogam é participar de forma efetiva e consciente nos trabalhos. Isso exige conhecimento, humildade, concentração, responsabilidade, mediunidade e amor. O Ogam é o responsável pelo canto, pelo toque, pela sustentação, pela parte física e equilíbrio harmônico dos rituais. Diferente do que muita gente pensa, um Ogam pode incorporar, porém, a sua mediunidade manifesta-se normalmente, de forma diferente do restante do corpo mediúnico. Manifesta, principalmente, através da intuição, das suas mãos, braços e cordas vocais. Os atabaques, quando devidamente consagrados e ativados pelos Ogãns, são verdadeiros instrumentos de auxílio espiritual, pois são capazes de canalizar, concentrar e irradiar energias que tanto podem ser movimentadas pelo próprio Ogam como pelas entidades de trabalho para os mais diversos fins

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